Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

HTML tutorial

Tanto trabalho para fumar uma ganza...

cannabis-and-crohns-disease-text-II.jpg

 

 

Vamos lá a deixarmo-nos de tretas.

O que “estamos” a debater é fumar ganzas, com a cena vendida na farmácia, fumar ganzas com a hipótese de cultivar em casa num vasinho de agricultura domiciliária, fumar ganzas sem que exista um laivo de irregularidade, falamos da plantação de cannabis de modo legal e mais um produto de exportação para a nossa balança económica.

Afinal, passa a ser todo medicinal.

 

Não vale a pena olhar para estas letras desse modo porque sempre defendi a liberalização das drogas leves e continuarei a defender. É pouco coerente proibir cannabis e depois permitir tabaco, álcool, açúcar, jogos de azar. Destes, talvez a cannabis seja a que faça menos mal e que seja menos aditiva.

 Se a cannabis tem de alguma forma características farmacológicas que sejam melhores do que as existentes, não haverá qualquer problema em trabalhar a planta em laboratório e usar a parte útil em ampola ou comprimido.  Usam-se derivados de outras plantas usadas como drogas e nunca foi preciso o tribunal opinar sobre o seu uso.

Alguma vez se viu a noticia de debate parlamentar sobre o uso de chá de camomila ou pezinhos de cereja? Alguma vez foi debatido o uso de derivados do ópio em medicamentos?

Não. Foi investigado, testado, validade, aprovado, regulado e condicionado o seu uso.

 

Depois há quem use derivados de ópio enquanto droga recreativa e há quem use medicamentos derivados de ópio.

 

Isso nunca foi tema de debate parlamentar nem por cá nem, que eu saiba, em nenhum país.

Ora por cá, queremos debater e legalizar a ganza, a tal parte recreativa da coisa, como medicamento.

“Ok. Se não conseguimos legalizar o uso da ganza porque a população conservadora ainda tem muito peso, vamos tentar dar aqui uma ideia de medicamento à coisa e pode ser que passe despercebido. “

Se esta lei for aprovada, qualquer um de nós pode ter um par de vasinhos de erva em casa porque a policia não irá perder tempo a ver quem tem ou teve receituário. Depois da despenalização, banaliza-se a sua existência e pronto, acaba-se com o debate com conservadores.

E não vale a pena vir dizer que fumar ganzas destrói o tecido social porque países que consomem cannabis livremente, como a Holanda, não me parece que tenham grandes dramas sociais neste tema. Já o consumo de álcool…

Tanto trabalho para se poder fumar ganzas…

Quem anda a semear ventos em busca de tempestades?

 

 

 

 

Percebemos que querem arranjar confusão quando tudo está calmo e alguém começa a promover discórdia. Mais uma vez, a imprensa, de forma direta ou indireta, está implicada.

Joana Marques Vidal está em fim de mandado de procuradora-geral da República. A pessoa que ocupa esta posição é proposta pelo Governo em funções e empossada depois pelo Presidente da República.

Ora para dar base à confusão, alguém se agarrou à Constituição da República Portuguesa para encontrar problemas de interpretação. Para o efeito, o objetivo promove o conflito entre instituições e alimenta a ideia que a CRP precisa de ser revista, e tal como a lei do financiamento dos partidos, atrás de uma desambiguação, mete-se lá mais umas colheradas daquilo que querem alterar, mas não querem falar.

 

Ora pelo que parece o Governo não tem interesse em reconduzir Joana Marques Vidal no cargo pelo que a questão com a CRP deixa de ser questão.

Resta a promoção do conflito entre Governo e PR só que estes só fazem deste tema um assunto se quiserem. O primeiro tem a competência de propor, o outro de aceitar ou não. Sendo que ainda nem sequer existe uma proposta, não há sequer o principio base necessário para que surjam problemas, ou seja, posições opostas.

Acho de qualquer forma interessante que andem a plantar a ideia de atrito, e como a malta só lê as “gordas”, é o atrito que ficará na memória.

 

 Truques da imprensa, dirão alguns…

Discurso de Ano Novo Sem Sal

 

Gostava de ter reparos de fundo a fazer ao discurso de Ano Novo de Marcelo Rebelo de Sousa.

Não tenho porque na verdade não disse nada de novo.

Mandou um abraço ao amigo Guterres, trouxe o Governo do PSD ao sucesso atual, congratulou o atual pelos sucessos económicos, a Mário Centeno e a Salvador Sobral, recomendou cautelas e depois atirou-se aos incêndios fazendo desse tema a base do seu discurso.

Mas nem aí foi muito hostil ainda que tenha dado uma canelada por baixo da mesa a António Costa pela falta de pedido de desculpas. Lamentou vidas perdidas e seguiu pelo senso comum num apelo a que em 2018 não se repitam as tragédias, que se aprendam dos erros e se criem condições para que se possam evitar incêndios destas dimensões, que os que existam, sejam combatidos num processo mais eficiente e sem polemicas.

O que disse no discurso aos portugueses, quase parece uma conversa à mesa de jantar.

Visto daqui, parece que adotou as medidas alimentares onde se proíbem alimentos com açucares e sal.

Foi sonso e sem sumo. 

Actualizações de Ano Novo

 

 

 

Nunca entendi muito bem a razão destas fronteiras temporais. Isto talvez tenha começado às 23:59 do meu ultimo dia com 17 anos e as alterações do minuto seguinte, já com 18 anos e todas as possibilidades e responsabilidades associadas à passagem desse minuto.

Quando muda o ano, todas as passagens de ano, é ali criada uma fronteira temporal psicológica como se entrássemos noutra vida, noutra dimensão, noutra realidade. “Este ano é que vai ser… “.

 

É verdade que natal é sempre que um Homem quiser e isso é cada vez mais, verdade. E se assim é para o natal, também o é para os aumentos tributários. Ainda assim, independentemente das datas escolhidas pelo “Homem” para outros natais, o 25 de dezembro é sempre Natal e dia 1 de Janeiro é sempre dia de atualização dos impostos.

 

A determinada altura da minha vida, trabalhei no departamento comercial de determinada empresa. Nos departamentos comerciais, aprende-se a falar de uma forma diferente. A ser sempre positivo, a nunca falar “aumento” ou “custo” e ter um discurso “strait forward” para que o interlocutor não tenha tempo de pensar no lado negativo do barrete que se lhe está a enfiar. Este, embalado no positivismo do discurso, diz a tudo que sim.

E esta lengalenga toda porquê?

Porque o Governo, no 1º de Janeiro, aumenta a carga fiscal nos combustíveis e justifica assim: “No Orçamento do Estado para 2018 seguiu-se uma política de estabilização ao nível da tributação indireta, procedendo-se a uma mera atualização de taxas no que respeita aos impostos especiais de consumo, que foi efetuada tendo por referência o valor da inflação previsto. Importa, pois, proceder à atualização, ao nível da inflação, do valor das taxas de ISP a aplicar no ano de 2018 a estes produtos, em linha com o Orçamento do Estado.”.

Repare-se que não é um aumento, é uma mera atualização.

“ah pronto, se é só uma mera atualização, tudo bem. Aumentos de impostos é que não…”

Valha-nos o aumento no SMN que dá para pagar isto e muito mais… (também atualizado no 1º de Janeiro”