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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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Algemou-os e deu-lhe um sermão (não eram peixes)

 

 

Na vida há o esperado e o inesperado. É esperado que todos os dias o sol nasça, é inesperada a visita de um extraterrestre. São naturais sismos em determinadas zonas do mundo, aqui onde moro, tirando aqueles pequenos abalos que a maioria não sente, aqui não são naturais.

E é nesta coisa do que é esperado e não esperado, do que é normal nuns sítios, mas não noutros, que tropeço numa noticia da TVI.

Ora desta feita, policia é filmado a dar sermão aos presos. Tinha tudo para ser um “apanhado” ou um “e se fosse contigo”, mas aparentemente é uma noticia. E isso preocupa-me.

 

Vivemos num país laico e o brasão da PSP tem o lema “Pela Ordem e Pela Pátria”. Devo já dizer que sou mais favorável ao da GNR “Pela Lei e Pela Grei” enquanto grei reportar à sociedade.

Ora pregar não faz parte da ordem, nem da pátria, nem da lei, sendo alias contra a lei. Sendo que a constituição promete igualdade independentemente do credo, se um agente da policia se mete a pregar uma confissão enquanto exerce a sua profissão, então este é tão criminoso quanto os que são alvo do seu sermão. É um crime anticonstitucional e pode ser até considerada violência, é abuso de autoridade.

Nada contra a sua crença. Por mim, enquanto não está ao serviço da PSP, pode ir dar catequese, pode ser beato, passar o tempo na igreja. Enquanto agente da autoridade da República Portuguesa, não.

Esperava isto na idade média, esperava isto num país que confunde Estado com religião, esperava isto de um Daesh.

Da Policia de Segurança Publica portuguesa, não esperava.

A conduta não é correcta, mas não quero aqui pedir uma punição exemplar. Pode ser violência, pode ser o caminho errado, pode ser abuso de autoridade, mas em ultima instancia, o agente pede que os que ali estão presos, deixem a vida do crime.

Peço eu, a este e a outros agentes, que dêem sermões quando for preciso, que tenham uma atitude correctiva e não punitiva sempre que for possível, mas não usem a religião como recurso ou argumento.

Em Portugal as leis são para serem quebradas

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Ás vezes gostava de perceber porque é que o português, com todas as cautelas às generalizações, é como é.

Há tanta coisa que fazemos bem, mas há outras que nos distanciam do que possa ser considerado como uma sociedade evoluída, ou se usar o termo sociedade, já será suficiente.

O relato que faço de seguida, é do dia de hoje, mas torna-se num relato porque é um comportamento frequente.

Hoje, sai de Lisboa a caminho de uma bela localidade alentejana para acompanhar uma obra que iria decorrer nesse local.

A empresa que por lá trabalha, antes de iniciar dar inicio aos trabalhos, delimitou, e bem, a área de trabalhos com baias, tal como mandam as normas de segurança colectiva. Equiparam-se com os equipamentos de protecção individual e iniciaram os trabalhos.

 

Só que os trabalhos na via publica têm esse problema que é precisamente o publico. Há sempre malta que não entende bem as normas da sociedade e acha-se acima dos outros.

Bom, a determinada altura aparece um senhor de meia idade, de bigode à Toni, atrás de mim, a uns 15 metros e de bengala, a descarregar o dicionário total de vernáculo.

Percebi que o senhor queria passar por ali, mas que as baias não lhe estavam a facilitar a vida.

Perdeu algum tempo a reclamar sozinho, na esperança que alguém lhe desse atenção, e na falta de outra bengala, desta feita não para a locomoção, mas para lhe dar apoio na parvoíce, desviou uma baia e invadiu o espaço delimitado.

Francamente ignorei porque há muita gente que procura o confronto, seja ele de que tipo for, e não estava para isso, mas…

Quando se aproximou da nossa posição, ou seja, da obra em si, voltou à carga. No meio de muito vernáculo que não repetirei aqui, resumia-se muito a isto: “é inadmissível cortarem uma passagem assim, tenho de fazer uns 2km por vossa causa…”.

Bom, ele reclamava que não podia descer uma escada com uns 20 degraus e os tais 2km não passavam de 20 metros em redor de uma casinha, e sem degraus.

Tive o azar de olhar para ele, dar-lhe o contacto visual que ele precisava, para iniciar o confronto.

Como não tenho paciência para insolências de crianças em formato adulto, disse-lhe logo, que se tivesse ali um acidente, ia logo a correr para o CM dizer que a obra não estava devidamente delimitada e ia chorar por uma indeminização.

Não gostou da resposta e iniciou marcha…

 

A coisa acabou, quando chegou ao outro extremo da obra, com um ameaçador: “Quando o meu cunhado souber disto é que vão ver…”.

 

 

Como disse lá em cima, este senhor não é caso isolado. No mesmo local, no mesmo dia, tentaram passar adolescentes, mulheres adultas, o avô com o neto…

E isto, acontece em todo o país, zonas urbanas e rurais, de um modo transversal sem nenhum critério que nos possa guiar para o que aí vem.

 

Por isso digo que, não respeitar regras, para o caso, regras de segurança que tentam proteger estranhos ao trabalho, é uma coisa muito portuguesa. Não se respeita o transito, não se respeitam delimitações, não se respeitam leis, não se respeita nada. E depois ainda temos a lata de dizer que os mais novos é que não respeitam nada? E os adultos?

 

Bem sei que estou a fazer uma generalização, mas a verdade é que eu não consigo desmontar a sociedade como peças de lego e dizer que determinadas peças, perfeitamente identificáveis, têm determinado comportamento, para alem disso, esta generalização é a soma de todos os defeitos e todas as virtudes e nenhum individuo é um fiel representante da sociedade.

 

No outro dia validava no meu pensamento a perfeição da normalidade, aquela normalidade que tem desvios ao padrão. No entanto há desvios que podem e devem ser corrigidos e Portugal, enquanto sociedade, estará bem melhor quando começarmos a respeitar os outros, quando percebermos que o Deus não mora nos nossos umbigos, que nós não temos centro gravítico, que devemos à sociedade o devido respeito assim como esta nos deve respeitar a nós.

 

Bem sei que isto não é fácil nem rápido. Aquele cidadão, e outros como ele, que acham que a sociedade lhes tem uma divida qualquer, não irão mudar ou pelo menos não irão mudar o suficiente para que tenha expressão, mas se calhar, quando isso acontecer, boa parte dos nossos problemas actuais deixarão de existir.

Em defesa da memória e do futuro de Portugal

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Recentemente jantei no interior de monumentos nacionais. Um jantar num castelo, o Castelo das Sombras, em Feldkirch, e num palácio, o Palácio de Hohenems, perto de Dornbirn. Pelos nomes é percetível que são monumentos nacionais, mas não de Portugal.

Já no fim do segundo jantar, perguntei aos residentes locais se não se incomodavam pelo facto de se estar a usar monumentos históricos e nacionais para fins de convívio quer na atividade de restaurante quer de bar.

As respostas foram cordeais, mas com a expressão facial de quem respondia a uma pergunta sem grande sentido.

Mas a resposta foi simples: “Nós gostamos dos nossos monumentos, mas mante-los tem um custo elevado. Os restaurantes usam o espaço ao mesmo tempo que fazem a manutenção necessária para a preservação do monumento…”

 

 

Devo dizer que fui muito bem-recebido, no que toca às refeições e salvaguardando gostos alimentares, fui muito bem servido, e tive a oportunidade de conhecer um pouco mais da historia quer dos monumentos quer daquelas regiões.

Ao mesmo tempo, em Portugal, e ainda por arrasto da polemica que se criou com o jantar da web summit no Panteão Nacional, regulamenta-se, castrando-se a possibilidade de atividades que os mais conservadores possam tomar por ofensivas à memória e à história.

Devo dizer que esta é uma mentalidade efetivamente conservadora, nada moderna, que promove ou tenta promover o nacionalismo, usando a mesma estratégia do Estado Novo, que é valer-se das memórias em vez de continuar a criar memórias positivas futuras.

 

 

É obvio que ninguém quer perder a historia e os monumentos que ajudam a recordar a nossa historia.

É obvio que algo com tanta idade, carece de muita manutenção e manutenção especialidade.

É obvio que este tipo de manutenção tem um custo elevado e quanto mais rica a história, mais espaço que carecem de manutenção.

É obvio que não vivemos num país de poços de petróleo nem de minas de ouro ou de outro tipo de riqueza extraordinária e tudo o que minimize os custos do Estado, é ou deveria ser bem-vindo.

É obvio que tudo o que se possa fazer, carece de alguma regulamentação e a criação de cópias das peças para expor em locais de acesso publico. Tirando isso a única hipótese de faltar ao respeito da memoria dos heróis passados é esquece-los.

Portugal não perderá a memória porque um palácio é usado sem ser como museu. A memória não se perde porque um turista jantou ou almoçou num castelo. A única coisa que se perde é uma fonte de receita e por uma suposta ou pretensa defesa de heróis do passado, consomem-se recursos que podem e devem ajudar os que ainda estão vivos, ainda que não sejam heróis nacionais. 

Alem disso e mais uma forma de contar Portugal a quem nos visita, não pelas praias, não pelos preços baixos, mas para descobrir de onde vimos, o que fizemos, como aqui chegámos e onde tencionamos ir. 

 

Como disse, estive nestes espaços à noite e as fotos não ficaram brilhantes pelo que deixo o link do TripAdvisor para que possam ver um pouco do que eu vi.

 

Castelo das Sombras

Palácio de Hohenems

Infante D. Henrique num mural austriaco

A semana passada, fomos jantar a um palácio (escreverei sobre isso noutro artigo) e outra pessoa presente insistia em ir, numa tradição bem portuguesa, beber um copo depois de jantar. O nosso anfitrião agarrou-se ao telemóvel e começou a pesquisar quais as melhores opções ali da zona. Quando me refiro a “zona”, falo de um raio de 30km. Outras realidades.

Para um enquadramento geográfico, estamos na Áustria, junto da fronteira com o Liechtenstein, da Suíça, perto da Itália e da Alemanha.

A caminho de um bar, em Dornbirn, passámos em frente a uma igreja com um enorme mural.

 

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  https://goo.gl/dgYCLG se quiseres ver o local no google maps

 

Para quem me conhece sabe que não perco uma oportunidade para uma brincadeira. O nosso anfitrião é nativo daquela zona e sem qualquer conversa relacionada, pergunto-lhe:

“sabes quem é aquele tipo, ao fundo, o de chapéu preto?”

Naturalmente que não sabia… digo-lhe prontamente “é português, é o Infante D. Henrique, uma figura importante dos descobrimentos portugueses…”

Sem deixar cair a bola no chão, saco do telemóvel, e mostro—lhe esta fotografia:

 

4f99a13e4ba8146eb565227309da56bb-Infante-D. HenriqAo longe e de noite, com o mesmo tipo de chapéu e roupa, são parecidos o suficiente para parecer verdade

 

Ele ficou com aquela cara de perplexidade entre o meu largo conhecimento sobre um mural de uma igreja austríaca de que ele não tinha conhecimento, e … que raio faria um navegador português ali, tão longe e onde não há mar?

Mas não disse nada.

Em terra de cegos quem tem um olho é rei e na falta de melhor, aquele argumento, sustentado pela imagem do google, pareceu verdadeiro o suficiente.

Deixei passar o momento e repus a verdade. Se não o fizesse, se calhar, no futuro ele diria a alguém, igualmente cego, que aquele era um navegador português.

 

 

 

Esta é uma historia de uma brincadeira, mas de como a verdade pode ser deturpada usando factos ou moldando-os, com determinado objetivo.

Não é recente a tentativa de oferecer uma justificação a um facto desconhecido, pouco conhecido ou ambíguo. Afinal, é assim que Deus aparece na nossa existência como justificador de tudo o que não compreendemos.

Só que antigamente essa deturpação ou manipulação dos factos, resumia-se a espaços pequenos e a poucas pessoas, o que era escrutinavel.

Vamos colocar o caso dos jornais com noticias, como hoje, manipuladoras. Aparecia logo outro artigo, noutro jornal, na mesma direção, mas em sentido oposto.  

Hoje, as redes sociais não têm critério e quando mais uma “noticia” apelar ao nosso lado mais selvagem, aos instintos primários, mais vezes ela é partilhada.

 

No outro dia, falava com um colega, que trabalha num dos países menos desenvolvidos do mundo, que quem manda, não quer que as pessoas aprendam para não saberem o que há a perguntar.

Devo dizer que por cá as pessoas aprendem, supostamente aprendem até a ter espirito critico, a usarem a razão em vez da emoção, e ainda assim, genericamente, são apenas bons selvagens… e bons quando a maré está de feição.

Isso é cada vez mais obvio com os acontecimentos na Venezuela, no Brasil, a eleição de Trump, a reeleição de Putin, Brexit, elevação de muros nas fronteiras da UE, cada vez mais poder dos partidos nacionalistas… e reporto-me só a um mundo que já teve um ar minimamente civilizado.

As redes sociais banalizam a morte, normalizam a selvajaria.

É um facto que uso internet desde o tempo do mIRC, mas é igualmente verdade que cada vez me sinto mais afastado desde conceito de social. É bem provável que a curto prazo abandone este tipo de espaços porque não quero alimentar o monstro populista que alimenta a soma de todos os medos.

#navegarépreciso - Cais do Sodré | 14 de Março | 17h00

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Como utente diário da Transtejo da ligação Montijo/Lisboa identifico as últimas semanas como caóticas quanto ao serviço fluvial que a empresa pública deveria prestar. Gostava mesmo de dizer que a degradação do serviço tinha atingido o seu limite. Mas a experiência tem-me ensinado que podemos sempre esperar pior da Transtejo... As comunidades de Montijo, Seixal, Barreiro, Almada e Lisboa, de forma alternada ou em sincronia, todas sentem na pele as constantes falhas no transporte fluvial no rio Tejo. As mesmas surgem sem pré-aviso da Transtejo e/ou Soflusa e sem qualquer solução alternativa eficaz para os utentes.

Nunca será demais relembrar a importância dos transportes públicos na mobilidade da população, nomeadamente na garantia dos movimentos pendulares. Os transportes públicos são fundamentais para a sustentação da atividade económica. As falhas no serviço de transporte retiram capital de trabalho às empresas e desmotivam os trabalhadores. Mas também atingem os estudantes e os reformados. Os primeiros pela necessidade de se deslocarem para estudar, quer para as suas escolas e faculdades, quer para locais que necessitem de visitar. Os segundos pelas deslocações muitas vezes associadas à saúde e mesmo por lazer ou familiares.

Numa época em que o uso do transporte coletivo em detrimento do transporte individual mais do que uma opção é uma urgência, para podermos diminuir os Gases de Efeito de Estufa e travar o aquecimento global, a Transtejo e Soflusa continuam a prestar um péssimo serviço. Desta forma dificilmente convencerão quem tiver uma opção ao transporte fluvial. E convém evidenciar que a ligação fluvial no estuário do Tejo é a quarta mais movimentada a nível mundial, com quase 75 mil passageiros diários. Tendo em conta a saturação das vias rodoviárias e ferroviária entre as duas margens, depressa chegamos à conclusão que o transporte fluvial é o único que atualmente tem capacidade de crescimento. O futuro passará obrigatoriamente por aqui.

Do que se vai sabendo, a Administração da Transtejo identifica sempre a falta de verbas como o principal obstáculo a que o plano de manutenção dos navios decorra de forma eficiente. Para além disso, também estarão dependentes de financiamento para a necessária renovação da frota. Assim, tem toda a pertinência a iniciativa conjunta das Comissões de Utentes do Cais do Seixalinho (Montijo), dos Transportes do Seixal e dos Serviços Públicos do Barreiro, para a realização de uma marcha organizada até a Ministério das Finanças. Porque, no fundo, é aí que se decide sobre as necessidades de financiamento, pese embora a Transtejo e Soflusa estarem debaixo da alçada do Ministério do Ambiente.

Considero que os utentes não devem assistir impávidos e serenos à degradação do transporte fluvial. As passadas semanas não se podem repetir. Mas se nada fizermos, se não pressionarmos os decisores e executantes, a rutura total do serviço fluvial poderá ser uma realidade. Pessoalmente não pretendo chegar a uma situação em que as lacunas sejam a normalidade. Onde os utentes terão de inquirir, no dia anterior ou próprio dia, se terão ligação fluvial que garanta a sua mobilidade. Renuncio este novo normal que já se vai passando um pouco nas redes sociais, onde utentes perguntam se há barco amanhã ou como estão os barcos hoje. Como se consultassem uma qualquer previsão meteorológica, para se precaverem em terra antes de se fazerem ao mar.

Por isso (e por muito mais que haveria a dizer) estarei presente na marcha “Navegar É Preciso!”. Faça chuva ou faça sol. Porque navegar não só é preciso, como é essencial.

 

Montijo, 12 de Março de 2018

Miguel Dias
Utente da Transtejo

Pontes de Lisboa, galinhas dos ovos de ouro e fado

 

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O português médio deve, por qualquer motivo ter um prazer oculto de ser roubado.

Deve ser genético, uma necessidade de promover o degredo para depois poder ter o seu fado.

Quem se poderia considerar português se não tiver algo sobre o que reclamar?

 

E por esta altura reclamamos que a ponte 25 de Abril está para cair. A primeira coisa que me inquieta é que é preciso uma revista lançar uma pedra ao charco para que o Estado assuma e anuncie reparações urgentes.

Curiosamente depois deste anuncio o Governo e o LNEC dizem que não há problema nenhum, pelo menos que possa ser considerado como grave.

Mas antes tudo apontava para uma ponte em risco eminente de cair ou pelo menos de ter em si um incidente grave.

“… “Foram inúmeros os relatórios enviados para a Infraestruturas de Portugal… “As fissuras das treliças transversais aumentaram em número e em comprimento”, apontam os técnicos do ISQ… o ISQ chama constantemente à atenção para necessidade de brechas e para a necessidade de obras…Também a consultora norte-americana Parsons (detentora dos segredos da ponte, (…) realizou, recentemente, um estudo que sugere a “realização de trabalhos imediatos… Empreitada que para o LNEC, entidade à qual o Executivo decidiu pedir opinião há alguns meses, confirma “ser, de facto, urgente” (na página da RTP).

 

Desta noticia peço para que fique memorizado o numero de 160 mil viaturas que passam na ponte diariamente, mais 160 comboios com mais 80 mil passageiros. Avancemos.

 

Recuemos então até 1995 e ao contrato de construção da Ponte Vasco da Gama.

Nessa altura Animal Cavaco Silva, hoje conhecido por “múmia” tinha como ministro das obras publicas o então ministro Ferreira do Amaral e a completar o triunvirato, Eduardo Catroga como ministro das finanças.

Aquela manta na altura procedeu à concessão da construção à Lusoponte. Esta ficaria com a construção da futura Ponte Vasco da Gama e da sua exploração até 2030 (ainda faltam 12 anos), e para ajudar a pagar o investimento, foi oferecida a exploração do tabuleiro rodoviário da ponte 25 de Abril. Nesta ultima, apenas com a responsabilidade de alcatroar e mudar lâmpadas de iluminação da dita.

Devo dizer que na altura foi feito um estudo por um artista qualquer que indicou o numero esperado de viaturas a passar na nova ponte. Se esse numero não fosse cumprido, a diferença entre viaturas reais e numero esperado, seria pago pelo Estado.  É um negócio fabuloso, repara: abres uma empresa e para pagar os custos dizes que precisas vender 1000 parafusos. Sabes que esse numero é irreal e nunca passas dos 600 parafusos. Mas sabes que há alguém que te dá o dinheiro para cobrir os 400 parafusos em falta, garantindo-te SEMPRE o lucro. (mais o que veio, vem e virá da ponte 25 de Abril).

 Não há como falhar. Ou o teu negócio resulta por ti ou resulta porque o Estado é amigo e assume-te o lucro. (A mim só me pede para pagar impostos... porque será?)

Bom, entre o que a Lusoponte recebeu de portagens e indemnizações pagas pelo Estado, Freitas do Amaral, que depois de sair do Governo de Cavado passou para presidente da Lusoponte, já recebeu para cima de MIL MILHÕES de euros. A construção da ponte Vasco da Gama não chegou a 600 milhões e ainda faltam 12 anos, sempre a somar.

Sim, porque aqui, para o efeito, os custos, tirando alcatrão e lâmpadas, são todos do Estado.

 

Vamos pegar nos 160 mil automóveis por dia que passam na ponte 25 de Abril?

Se convertermos este numero em euros, falamos de 51,1 milhões de euros anuais. O valor mais baixo das portagens é superior a 1 euro e não inclui passageiros da ferrovia. O faturado num só ano, chega para pagar a TOTALIDADE dos custos das obras necessárias para recuperar a ponte.

Desde 2001 que a Lusoponte deixou de contribuir com 2,25 milhões de euros anuais para o fundo de obras estruturais, porque Ferro Rodrigues, na altura o ministro da tutela, disse que não era preciso.

 

Como sempre, alguns engordam as suas contas à conta dos contratos de lesa-pátria, o Estado fica com os custos e os danos colaterais, nós elegemo-los e depois pagamos pelas suas asneiras.

 

Tudo isto, só para podermos continuar a cantar fado.

Um Recibo verde Não pode ficar doente.

Sabem a grande diferença entre um recibo verde e empresário unipessoal e um trabalhador com contrato por conta de outrem? Saúde. Este é o principal pesadelo de quem trabalha por sua conta, por quem exerce profissões liberais. A saúde é o VALOR inquestionável nos tempos que correm. Ficar doente, um ou dos nossos ficar doente, é uma angustia e preocupação sejamos trabalhadores independentes ou não. Mas, e bem, enquanto um trabalhador por conta de outrem tem direito a subsidio por doença ou assistência à família, o profissional liberal não dispõe de qualquer destes direitos. E chamo-lhe direitos e não regalias, como algumas pessoas lhes gostam de chamar, porque se o Estado serve para alguma coisa e, na minha opinião, serve para regular muita e muita coisa, nestes momentos a importância do Estado e da luta pelos direitos sociais de tantos e tantas faz-se sentir na pele a na alma de quem atravessa problemas de saúde.

Quando lançámos a nossa petição, muitos nos questionaram e questionam, se o valor de 8 euros por hora não é demasiado elevado. Primeiro, não podemos comparar quem aufere o salário mínimo nacional com os trabalhadores independentes porque os segundos não têm horário de trabalho (tanto podem trabalhar 6 horas num mês como 70), mas porque os segundos precisam de poupar para dias de chuva porque aqui, o Estado falha redondamente no seu papel de para raios e coriscos, chuvas e trovoadas.

Por isso, peço a todos que assinem esta petição. Porque a Esquerda Parlamentar só concebe os recibos verdes enquanto falsos recibos verdes, deixando de fora das suas preocupações 750 mil portugueses. E a direita acredita que todos nasceram ricos e em berço de ouro ou são empreendedores bem sucedidos que não passam nem nunca passarão por dias de chuva. Ou, se tudo correr mal, um amigo arranjará para o camarada emprego como professor universitário numa instituição do Estado, claro está.

 

https://livrept.net/peticao-retribuicao-horaria-minima-garantida

 

"Às Vezes a Mulher Merece Ser Agredida"

 

 

"Às vezes a mulher merece ser agredida"

Este é o titulo de uma noticia na SIC Noticias sobre um estudo realizado pela ONE em Marrocos.

“Um estudo realizado em Marrocos pela ONU Mulheres revelou que 38% dos homens, e 20% das mulheres, concordaram em que, "às vezes, a mulher merece ser agredida" e 62% daqueles, bem como 46% destas, consideraram que "uma mulher deveria tolerar a violência para manter unida a sua família".

 

Atropelos à liberdade são para noticiar, seja lá onde foram/são feitos.

Ainda assim, a primeira imagem é que a noticia transporta algo de “natural” num país muçulmano e africano. E a imagem selecionada pela SIC reforça o estigma.

 

Só que não.  Noticia recente, 15 dias antes desta, diz-nos o seguinte: “Violência no namoro atinge 56% dos jovens”: “Outro estudo feito a universitários mostra que mais de metade já foi vítima de violência e 37 por cento já a exerceu.”.

 

É certo que os estudos não fazem as mesmas questões. Um pergunta se concorda ou não, o outro se foi vitima ou agressor ou não.  No entanto os números não são assim tão diferentes por que o primeiro tem um valor mais elevado, mas é uma declaração de intenções e engloba quem está na posição de vitima. Em Portugal 37% ASSUME que já exerceu alguma forma de violência.

Não consta que o problema seja religioso porque fosse esse o caso, os valores entre Portugal e Marrocos seriam bem diferentes, entre Portugal e outros países da Europa, muito mais aproximados.

Na verdade, só é relevante encontrar a origem do problema se de alguma forma isso ajudar a resolver a questão.

A questão resume-se ao poder e à posse. Ao poder sobre a posse. Só que já diria o velho sábio João Pedro Pais que “ninguém é de ninguém, mesmo quando se ama alguém…” e recordo-me de ver num filme a frase “saber amar é saber deixar partir”.

Não há posse de um individuo sobre o outro, talvez seja mesmo o oposto. A relação saudável é a arte de dar.

O meu avô morreu há 9 anos bem medidos e muito antes disso, disse uma vez que se porventura a minha avó morresse primeiro, ele iria logo depois. É a certeza de que não se tratava de ter, mas de não ter a quem dar, ou de dar o que tinha a quem sempre deu, porque assim o quis.

 

 

 

Portanto, Portugal não é diferente, infelizmente, de outros países que aos nossos olhos tendemos a olhar com sobranceria. Temos de nos melhorar e ajudar outros a melhorarem.

Uma pessoa não é um bem que alguém se aproprie, independentemente da sua idade, género, orientação, religião, melatonina. Não se tendo posse, não se prende nem se estraga. Ou aceita, ou não sendo o caso, cada um segue o seu rumo. Já o outro dizia que “chapéus há muitos, seu palerma”.

A mulher às vezes merece ser agredida? Epá, não.  

A tua parceira ou o teu parceiro não se enquadram nos teus desígnios? Muda. Para cada panela há uma tampa que se ajusta. Não estragues a tampa de outra panela.

O teu parceiro ou parceira teve atos de violência? Parte para outra. Abriu-se um precedente e um dia fazes parte das noticias do CM. E não, não há nenhuma desculpa válida nem de quem praticou a violência nem de quem a desculpabiliza.

“Entre marido e mulher não se mete a colher”. E não mete. A colher usa-se na cozinha nos pratos, tachos e panelas. Violência é crime publico, não é culinária. Se assististes a violência domestica ou selvagem, comunica com a autoridade competente. E se tens medo, arranjo-te um cão. Nem precisas comprar.